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MUSEU VOSTEL

Wolf Vostell foi um artista plástico que trabalhou materiais industriais decomponíveis (automóveis abandonados, receptores de rádio e televisão avariados, motas já sem utilização, fazendo enormes instalações e intervenções (piano dentro de automóvel, por exemplo). Vostell (Leverkusen, 1932; Berlim, 1998) reflectiu sobre a cultura industrial e de consumo em que os objectos já sem uso vão para a sucata e para a lixeira. Ele quis, assim, dar conta do mundo actual, com grande ironia e nostalgia por formas obsoletas mas que, em simultâneo, provocam o riso e a vontade de brincar.

São conhecidas as séries de Vostell de obras com televisores e automóveis, onde a beleza inicial das formas dos objectos se transforma em lixo, fealdade, inutilidade, desconforto. Podemos ver no seu museu a história dos objectos industriais - e imaginar a sua apropriação e abandono, como quando se tem um brinquedo novo e se lhe dá muita atenção antes de dedicar toda a disponibilidade a um novo brinquedo e se esquecer o anterior. Só a memória, a nostalgia dos momentos vividos antes, nos leva a recuperar os objectos, as colecções de peças que passam na vida individual e se guardam num sótão ou cave. Esta história do design industrial é, em Vogell, diferente de outras colecções de aparelhos e máquinas que encontramos noutros museus. Trata-se de um olhar sobre a obsolescência e a morte dos objectos, estrelas de um mundo de gadgets imprescindíveis num tempo e abandonados noutro. Vogell escava na história do design industrial como se estivesse numa lixeira à procura de objectos ainda recuperáveis (pelo valor do metal, por exemplo).

O automóvel ou o televisor são símbolos dos rituais da vida actual dos homens. A articulação dos objectos representa o princípio da des-colagem que Vogell trabalhou desde 1954, propondo o princípio negativo dos objectos que o espectador habitualmente toma como positivo, num jogo de sombras e de conflitos em que a humanidade corre o risco de mergulhar. Na vida dos objectos industriais, há um permanente processo de construção e desconstrução, o que provoca novos processos mentais. Fundador da vanguarda Hapenning e Fluxus, encontramos neste museu excelentes exemplos desses modos de fazer a arte.

Malpartida de Cáceres, a não muitos quilómetros da cidade, foi local de transumância, com pastores e ovelhas, local onde estas eram tosquiadas para a transformação da lã. Perdida a função inicial, o edifício foi adaptado e beneficia de uma inserção em lugar muito bonito, que funciona também como local de caminhadas para a população e os visitantes. Vostell ficou encantado com o lugar, de onde era oriunda a sua mulher Mercedes Guardado Olivenza, tendo obtido da Junta da Extremadura a ideia de construir o seu museu naquele sítio.

Fonte: http://industrias-culturais.blogspot.com/2009/04/blog-post.html